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Baixada na ONU

Articulador do FGB e morador de São João de Meriti, Douglas Almeida
é selecionado para participar da Assembleia da Juventude na ONU 
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Douglas Almeida, articulador do Fórum Grita Baixada (à esquerda) entrega a Fabrício Oliveira, da missão do Brasil na ONU o relatório produzido pelo Fórum Grita Baixada e o Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu "Um Brasil Dentro do Brasil Pede Socorro".

Parte da delegação brasileira presente nessa semana da 20° Assembleia da Juventude da ONU, em Nova York, participou na quarta-feira, 09 de agosto, de uma visita ao escritório da missão do Brasil na ONU. A conversa começou com a apresentação da trajetória dos participantes e suas lutas por um sociedade com mais oportunidades para a juventude.

Guilherme Karakida, mestrando em sociologia na UERJ, foi o responsável em entrar em contato com a missão e organizar a delegação brasileira para a visita. O secretário Fabrício Araújo foi o anfitrião e conduziu a conversa, sobretudo apresentando as oportunidades para as juventudes e refletindo a realidade brasileira. Douglas Almeida, articulador do Fórum Grita Baixada, entregou exemplares do relatório "Um Brasil dentro do Brasil pede socorro", (em sua versão em inglês) para que a realidade da Baixada Fluminense possa ser refletida, pensando na superação de diversos problemas que têm influência de situações além do território local, como o tráfico internacional de armas e drogas.

Algo ressaltado na conversa é a necessidade de que os diplomatas brasileiros, além de possuir tecnicamente um bom currículo e experiências internacionais, tenham também maior contato com as realidades do Brasil como um todo e não somente dos grandes centros, sabendo que no exterior estão levando impressões que vão além da percepção individual, mas que devem carregar toda uma realidade complexa e diversa sobre o povo brasileiro.

Douglas Almeida relatou a impressão que na assembleia da juventude faltavam mais experiências de trabalho de base, de atividades que realmente transformam ou tentam transformar a vida das pessoas numa lógica que parta de baixo pra cima, das camadas mais populares: "Tem muita gente que consegue expressar suas aptidões e os anseios pessoais, mas a realidade de cada país é algo que infelizmente não é mostrado, inclusive se considerarmos o caso do Brasil, referindo-se, por exemplo, a não representatividade dos negros que compõem mais de 50% da população do país". Para Douglas essa lacuna na representatividade não é algo específico da Assembleia da Juventude, mas um traõ da dinâmica de acesso a ONU; isso faz com que o espaço se torne elitista, limitando a discussão dos objetivos para o desenvolvimento sustentável a uma parte privilegiada da população, retirando da discussão outras pessoas que precisam se engajar nesse assunto.

Douglas conclui afirmando que algo que deve ficar de legado é o incentivo a outros jovens a participarem desse espaço, buscando ampliar a delegação brasileira nos próximos anos, sobretudo engajando jovens moradores das periferias como a Baixada Fluminense, levando de forma mais ampla as lutas e possibilitando um intercâmbio de experiências.

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