Pular para o conteúdo principal

Equipe do Defezap visita o FGB


Desenvolvedores do aplicativo de denúncias contra a violência de Estado são
convidados para a reunião mensal de coordenação ampliada do Fórum Grita Baixada. 

Na manhã dessa segunda-feira (27/08), a subesede do Conselho Regional de Psicologia na Baixada Fluminense, localizada em Nova Iguaçu, foi palco para a reunião mensal da Coordenação Ampliada do Fórum Grita Baixada, que congrega instituições, coletivos, organizações e movimentos sociais parceiros do FGB. A ocasião serviu para receber parte da equipe de desenvolvedores do aplicativo Defezap, a dupla Guilherme Pimentel e Lana de Souza, para explicarem como funciona as dinâmicas de trabalho desse importante instrumento de denúncia para as vítimas da violência de Estado. 

O DefeZap atua na região metropolitana do Rio de Janeiro, constituindo-se em um jeito rápido e seguro de reagir à violência de Estado e também de facilitar o acesso à justiça.Com uma mensagem de WhatsApp para o número (21) 99670-1400 qualquer pessoa pode ter orientações sobre o que fazer diante de uma violação e, caso tenha vídeos, sua comunicação poderá se tornar uma denúncia oficial. O sigilo é garantido e a pessoa será informada sobre o acompanhamento do caso. As informações e evidências do caso são apuradas com ajuda de uma rede colaborativa de apuração e documentação que coleta os dados antes de serem encaminhadas aos órgãos responsáveis.

Para fornecer mais credibilidade na verificação dos casos, uma equipe de jornalistas usa as informações obtidas para produzir relatórios sobre violência de Estado na cidade, sem identificar vítimas, testemunhas e denunciantes. São exemplos de violações cometidas por agentes de Estado que podem ser enviadas para o DefeZap: operações violentas nas comunidades, invasões de domicílio, repressão indevida a manifestações e ocupações, blitz duvidosas, tapas na cara, repressão a camelôs e artistas de rua, entre outros casos.

“O objetivo é promover acesso à justiça a vítimas de violência de Estado. Tentamos produzir informações sobre os encaminhamentos, as dificuldades de trabalho das promotorias de justiça, a burocracia envolvida para emperrar os processos. É importante que organizações e instituições participem coletivamente para a troca de informações e, assim, aprimorar o serviço”, explica Pimentel.  

Segundo o coordenador do aplicativo, desde maio de 2016, data de início das atividades do serviço, já foram contabilizados cerca de 200 casos. Mas contando com as orientações para outros tipos de violência como agressões domésticas, pedofilia (que não fazem parte do escopo de trabalho da equipe, é bom salientar) o número de casos pode chegar a 500

O método de trabalho    

Não é uma tarefa das mais simples. Afrouxar as amarras que emperram o sistema judiciário, especialmente quando o atendimento deveria acolher a população mais pobre, pode se tornar um labirinto de paciência e perseverança. Elabora-se um verdadeiro quebra-cabeças com os dados recebidos e depois identifica-se quais instituições seriam as mais adequadas para se promover a resolução de determinada demanda. Se há uma demanda jurídica específica que precisa ser pleiteada, por exemplo, identifica-se uma defensoria pública que pode acolher àquela denúncia. Depois é feito um trabalho de monitoramento sobre as evoluções e paralisações dos processos judiciais encaminhados pelo Defezap. Em tempos de intervenção militar federal no estado do Rio, Pimentel afirma que o cenário é pessimista.

“A Justiça é lenta e não temos a pretensão de dar velocidade aos processos judiciais. Porém, alguns casos tiveram um tempo de conclusão consideravelmente bem menor. Existem ações de indenizações tramitando na justiça, a grande maioria dos casos não teve decisão de grande impacto, as cobranças continuam e as denúncias sob o âmbito da Intervenção triplicaram. O primeiro diagnóstico dessa conjuntura é que os setores autoritários estão mais à vontade em exercer seus autoritarismos. Em junho, houve um recorde de evidências recebidas pelas forças armadas e há uma queda de legitimidade sobre o trabalho do Exército nas favelas após essa determinação do governo federal”, explica Pimentel.

O número do Defezap é (21) 99670-1400. Clique na imagem para ter acesso ao site do aplicativo. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Estado Brasileiro é julgado por seus crimes

Fórum Grita Baixada e movimentos sociais organizam o Tribunal Popular da Baixada Fluminense, na Praça do Pacificador. Imagine que por um dia apenas, o Estado Brasileiro pudesse ser personificado e, assim como qualquer mortal, responder em juízo por quase todos os crimes categorizados pelo Poder Judiciário ao longo dos séculos. A Praça do Pacificador, em Duque de Caxias foi palco, na última terça-feira, 11 de setembro, de um evento inovador que tentou abarcar tal realidade. Um tribunal popular foi montado para a condenação simbólica de uma entidade que afeta a vida de todos nós. Movimentos sociais como o Fórum Grita Baixada, Movimento Negro Unificado, Rede de Mães e Familiares Vítimas da Violência de Estado na Baixada Fluminense, Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu, Casa Fluminense, dentre outros, simularam um julgamento em que o Estado Brasileiro, na condição de réu, seria responsabilizado pelos seus crimes, especialmente os de genocídio contra a populaçã...

Prefeitura quer elaborar plano de Direitos Humanos

Fórum Grita Baixada e representantes da sociedade civil são convidados pela prefeitura de Nova Iguaçu  para expor encaminhamentos viabilizando construção de política pública O Fórum Grita Baixada, o Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu, além de outros representantes da sociedade civil organizada participaram, na manhã do último dia 29 de janeiro, no auditório do Ministério Público, de reunião promovida pela Secretaria de Assistência Social da prefeitura de Nova Iguaçu para a elaboração do seu primeiro plano municipal de Direitos Humanos. Com o título “O papel dos Direitos Humanos nas Políticas Públicas”, a diretora de Direitos Humanos da pasta, Deise Marcello, apresentou uma breve historiografia sobre a construção de políticas de Direitos Humanos no mundo. Ao final de sua exposição, chamou para a composição da mesa, Dom Luciano Bergamin, bispo de Nova Iguaçu, a secretária de assistência social, Elaine Medeiros, o presidente do Conselho de Segurança Pública e Dir...

Encontro sobre segurança pública em Duque de Caxias envolveu apresentação do FGB e dinâmicas sobre os desafios a serem enfrentados

No último sábado, 26 de agosto, o Fórum Grita Baixada (FGB) participou do encontro do Regional Centro da Diocese de Duque de Caxias, na Igreja Santa Terezinha, no bairro Parque Lafaiete. O articulador Douglas Almeida e o assessor de comunicação Fábio Leon foram responsáveis em conduzir ao longo da manhã uma discussão sobre a conjuntura nacional, estadual e as implicações na Baixada Fluminense, sobretudo na segurança pública da região. Estiveram presentes cerca de 100 pessoas representantes das pastorais e comunidades católicas das paróquias da região central de Caxias. Logo no início do encontro os participantes, foram questionados se já conheciam o trabalho do FGB. Mais da metade do grupo disse já ter ouvido falar ou participado de alguma atividade promovida pelo Fórum. Além disso, a história desse movimento foi contada de forma breve, reforçando a atuação nos dias de hoje, principalmente os trabalhos nos núcleos, incluindo um resumo das atividades do núcleo Imbariê, e a Frente ...