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FGB entrega Manifesto contra a violência

Durante inauguração da nova sede do 24º BPM, nessa quarta-feira (22/11) integrantes do Núcleo Queimados do Fórum Grita Baixada entregam a autoridades da cidade documento com propostas de combate à violência.

Texto: Lorene Maia – Articuladora de Território do Fórum Grita Baixada 
Fotos: Lorene Maia, Igor Lima e Ismael Lopes


O Núcleo Queimados do “Fórum Grita Baixada” esteve presente na solenidade de inauguração, nesta quarta-feira, (22/11), da nova sede da “Primeira Companhia Destacada do 24º Batalhão da Polícia Militar”, em Queimados.  Durante a cerimônia de inauguração, o Fórum Grita Baixada foi chamado para entregar às autoridades competentes, representadas pelo Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Wolney Dias, prefeito de Queimados, Carlos Vilela e para o secretário de Segurança e Ordem Pública, Elias José, um Manifesto (leia em detalhes as proposições do Manifesto no final desse texto) pela diminuição da violência construído coletivamente no I Seminário de Segurança Pública com Cidadania de Queimados , realizado no dia 21 de outubro, organizado também pelo núcleo local do FGB.

O Manifesto, que entre outras reinvindicações, propõe como meta a diminuição da violência, baseada na garantia plena de direitos e cidadania, foi um dos produtos gerados pelas ações do Fórum Grita Baixada no município de Queimados. É simbólico e importante que a sociedade civil de Queimados tenha se articulado em torno da produção de um seminário para discutir a questão da segurança, da violência e da cidadania na cidade, buscando alternativas para superar as graves situações que ocorrem na cidade e na Baixada Fluminense todos os dias.

Outras atividades estão sendo programadas pelo núcleo de Queimados do “Fórum Grita Baixada” com o objetivo de debater e incidir, direta ou indiretamente, enquanto sociedade civil articulada, nas políticas públicas municipais, estaduais e nas diversas esferas sociais para superar o avanço da violência que assola a Baixada. O grupo, que se reúne mensalmente, planeja uma agenda anual para 2018, com a finalidade de fomentar e fortalecer o debate e as ações em prol da segurança pública e da legitimação dos direitos dos cidadãos. O núcleo de Queimados do Fórum Grita Baixada quer fazer a sua voz e a de cada cidadão de Queimados e da Baixada Fluminense ecoar por mudanças, por justiça e por cidadania plena.

Leia abaixo o Manifesto:

A escalada da violência no município de Queimados tem deixado a população assustada; mas não podemos achar que isto começou em 2017. Existe uma história de violência em toda baixada fluminense, sendo a mais marcante conhecida por  “‘Chacina da Baixada”, que vitimou 29 pessoas no dia 31 de março de 2005.

Nos últimos anos, vimos nossa cidade ser tomada por traficantes e milicianos, chegando ao ponto de se tornar a mais violenta  do Estado. Vários foram os fatores que colaboram para o crescimento da violência, como os vários tipos de preconceito, o feminicídio, a desigualdade social que gera frustração e revolta, a falta de oportunidades de trabalho, ausência de escolas em  tempo integral, a falta de políticas de cultura e lazer para jovens de baixa renda e a revolta pela corrupção que tomou conta do Brasil.

Para combater a violência, é claro que precisamos aumentar, com urgência, o número de policiais; ter uma polícia bem capacitada para exercer mais a prevenção do que a repressão; ter policiais bem remunerados, honestos e recebendo em dia o seu pagamento; ter um sistema prisional que recupere as pessoas para o convívio social e também ter uma justiça ágil e honesta.

No entanto, se não mudarmos o quadro social e se ficarmos pensando apenas em aumentar a repressão, enquanto não atacarmos as raízes do problema, estaremos apenas realimentando a espiral da violência. É como querer curar um câncer com analgésicos.
Assim, conclamamos os governos municipal, estadual e federal a colocarem o interesse público acima dos interesses partidários e corporativos. É hora de todos se unirem para juntos estabelecermos metas e nos empenharmos para:

– Oferecer vagas em creches para todas as crianças que delas necessitam;
– Criar Escolas de Tempo Integral;
– Promover, com absoluta prioridade, políticas públicas de educação, cultura, lazer, esporte e trabalho para jovens de baixa renda;
– Cobrar das empresas o cumprimento da Lei do Jovem Aprendiz;
– Estabelecer uma legislação para a contratação de jovens aprendizes também no serviço público;
– Instituir nova política de segurança, focada na realidade da Baixada Fluminense, integrada com políticas públicas que promovam a participação comunitária, a geração de oportunidades e a oferta de serviços e equipamentos públicos que assegurem condições dignas de vida aos seus moradores;
– Fortalecer o Gabinete de Gestão Integrada;
– Integrar o governo municipal de Queimados na Frente Intermunicipal de Valorização da Vida;
– Criar ações integradas entre diversas secretarias que tratem da garantia de direitos nos territórios prioritários;
– Exigir dos governos, municipal e estadual, a criação de programas de redução de homicídios em Queimados e na Baixada Fluminense.
– Criar uma central municipal de vídeomonitoramento.

Elencamos aqui medidas de curto, médio e longo prazo a serem priorizadas tanto pela gestão municipal quanto pelos governos estadual e federal, os quais devem disponibilizar recursos, tomar medidas e realizar as mudanças e reformas necessárias para possibilitar a construção de um caminho que supere o atual quadro inaceitável de desigualdades e violência, comparável a países em situação de guerra.
Ressaltamos que os três níveis de governo devem cooperar e tomar medidas urgentes para combater a atual situação de exacerbação da violência e o número diário e alarmante de assassinatos, focando esforços em combater as redes de criminalidade que envolvem não somente os setores marginais da sociedade, mas também a polícia e a política.

Conclamamos igualmente aos cidadãos e cidadãs, as entidades da sociedade civil e as empresas a empunharem estas bandeiras e se empenharem em colaborar dentro de suas possibilidades, de sua esfera de poder e de influência, ajudando Queimados a tornar-se uma cidade de paz, justa e sustentável, que ofereça qualidade de vida para todos os seus habitantes.

Não devemos ficar achando que tudo que vem acontecendo é normal, que não tem mais jeito.
Até quando ficaremos sendo tratados com tanto descaso?
Até quando policiais vão deixar suas casas sem saber se vão voltar?
Até quando assistiremos impassíveis  ao extermínio da nossa juventude?
Até quando seremos  vítimas de terrorismo?
Até quando vamos ficar reféns de milicianos e traficantes?

23-11-17

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