Pular para o conteúdo principal

FGB participa de coletiva de imprensa com nova cúpula da segurança pública


Responsáveis pela pasta no Estado do Rio de Janeiro não esclarecem que estratégias serão usadas na Baixada e os impactos sociais que a intervenção federal militar pode acarretar nas periferias.

O Fórum Grita Baixada participou da coletiva de imprensa realizada na manhã de ontem (27/02) no auditório do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), centro do Rio. O encontro foi considerado aquém das expectativas sob diversos aspectos que incluem desde o pouco tempo de inscrições feitas pelos jornalistas até a quantidade de perguntas selecionadas, que ficou restrita a alguns representantes dos grandes meios de comunicação. Muitos profissionais da imprensa foram pegos de surpresa, por exemplo, quando a porta-voz da Assessoria de Comunicação do CICC alertou que faltavam apenas 3 minutos para o envio das perguntas a mesa, que, ainda assim, foram previamente selecionadas.  

Outro ponto desfavorável à apresentação foram as declarações do interventor federal, general Walter Souza Braga Neto, que forneceu um aspecto mais organizacional e administrativo, em função da reestruturação dos órgãos de segurança que estarão sob seu gerenciamento, do que esclarecer quais estratégias de campo seriam desenvolvidas. “Nossos objetivos são reduzir a criminalidade e dar suporte à capacidade operativa aos órgãos de segurança”, disse Braga Neto, que também declarou que a folha de pagamento da Polícia Militar “estaria em dia”.

Já o general Mauro Sinott, chefe de Gabinete da Intervenção Federal, disse que o momento atual é uma “janela de oportunidades”, e espera que a segurança do Rio aproveite a experiência das Forças Armadas, ao salientar que a logística das corporações são um grande desafio em função do grau de sucateamento das bases operacionais (Unidades de Polícia Pacificadora) e das viaturas dos batalhões.

Direitos Humanos em tempos de intervenção

Perguntas sobre investigações acerca de possíveis violações de Direitos Humanos, bem como denúncias de outras modalidades de abuso de poder por parte dos militares em comunidades periféricas, foram descartadas na coletiva de imprensa. Elas foram respondidas de improviso no saguão do CICC, através do porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Carlos Alberto Sinelli. “Desde o ano passado não houve manifestação de violação de Direitos Humanos numa escala que pudesse representar algo que estivesse acontecendo sistematicamente”, afirmou Sinelli, em depoimento publicado no Jornal do Brasil.

Entretanto, ao responder a pergunta de uma repórter sobre como o problema da corrupção nas forças de segurança será contigenciado, o general Braga Neto limitou-se a dizer que irá “fortalecer o trabalho das corregedorias e tomar providências para a valorização dos policiais.”. Uma outra repórter perguntou se o Instituto de Segurança Pública (ISP) teria a mesma autonomia para a composição do que a mesma chamou de “auditoria dos índices de letalidade (assassinatos)”. A resposta foi positiva. 

Em linhas gerais, a coletiva de imprensa foi marcada pela rigidez protocolar típica dos militares. Tudo milimetricamente coordenado e fornecendo quase nenhuma oportunidade para o aprofundamento de discussões mais polêmicas ou que resultassem em algum tipo de constrangimento aos anfitriões. Das 7 perguntas feitas pelos jornalistas, em um espaço de tempo que pouco ultrapassou a marca dos 20 minutos  a única pergunta feita sobre o papel das favelas, no âmbito da intervenção federal militar, foi sobre a período de ocupação que elas sofreriam pelos soldados, prontamente respondida pelo general Sinotti, que afirmou “que a ocupação das comunidades não será permanente como das outras vezes”.         

Para a Baixada Fluminense, a vigência da Garantia de Lei e Ordem estendida, segundo o que almejam os militares, se configura, por enquanto, a alguns pontos de bloqueio, controle e fiscalização de determinadas vias urbanas aos principais acessos rodoviários ao Rio, dentro de horários pré-fixados. Embora os efeitos relacionados a queda dos índices de violência, baseados no uso dessa tática, ainda não tenham sido contabilizados. especialmente na região metropolitana e resolver um problema que possui raízes históricas e estrutura 

Ao contrário do que prometia o controverso programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP´s) e considerando todas as implicações a respeito do tema, a nova cúpula da segurança pública do Estado do Rio ainda não produziu nenhuma declaração de como serão as contrapartidas sociais que chegarão a reboque da intervenção. Resta saber se a tal credibilidade das forças de segurança vai ser uma mera repetição de processos de “sufocamento” da criminalidade em territórios marcados pela pobreza ou se a Saúde e a Educação terão vez nesse complexo jogo de xadrez político.

VEJA TAMBÉM: 






28-02-18
https://forumgritabaixada.org.br/fgb-participa-de-coletiva-de-imprensa-com-nova-cupula-da-seguranca

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Estado Brasileiro é julgado por seus crimes

Fórum Grita Baixada e movimentos sociais organizam o Tribunal Popular da Baixada Fluminense, na Praça do Pacificador. Imagine que por um dia apenas, o Estado Brasileiro pudesse ser personificado e, assim como qualquer mortal, responder em juízo por quase todos os crimes categorizados pelo Poder Judiciário ao longo dos séculos. A Praça do Pacificador, em Duque de Caxias foi palco, na última terça-feira, 11 de setembro, de um evento inovador que tentou abarcar tal realidade. Um tribunal popular foi montado para a condenação simbólica de uma entidade que afeta a vida de todos nós. Movimentos sociais como o Fórum Grita Baixada, Movimento Negro Unificado, Rede de Mães e Familiares Vítimas da Violência de Estado na Baixada Fluminense, Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu, Casa Fluminense, dentre outros, simularam um julgamento em que o Estado Brasileiro, na condição de réu, seria responsabilizado pelos seus crimes, especialmente os de genocídio contra a populaçã...

Debate sobre descriminalização das drogas avança na BF

Segunda parceria entre Fórum Grita Baixada, Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu e a Igreja Católica da Baixada Fluminense traz especialistas à Diocese de Duque de Caxias para conversa sobre possibilidades de legalização.  No último sábado (18/11), uma inciativa da Diocese de Duque de Caxias/São João de Meriti, através de uma parceria entre o Fórum Grita Baixada e o Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu, reuniu, mais uma vez, alguns dos mais renomados especialistas na área de segurança pública e criminologia crítica do Rio de Janeiro para se discutir as possibilidades de descriminalização ou legalização das drogas e seus efeitos benéficos para a sociedade, especialmente no que tange à redução da violência e à cultura da vida. Repetindo o sucesso de sua primeira edição, ocorrida em 27 de outubro na cidade de Nova Iguaçu (inserir link) , o Seminário Política de Drogas e Violência: um debate necessário fez o público pensar e se interessar sobre essa n...

Violência nas escolas: onde, por quê e como prevenir

Seminário sobre as várias problemáticas acerca do tema aconteceu na quarta-feira (15/08) dia do(a) psicólogo(a) na unidade do Uniabeu de Belford Roxo.  Fórum Grita Baixada foi um dos organizadores.  Discutir políticas públicas sobre Educação está longe de ser um consenso. Professores e pesquisadores da área são unânimes em fornecer críticas sobre algumas ações em relação a processos de gestão do poder Executivo e Legislativo para qualificar o sistema de ensino. Mas e quando assuntos mais espinhosos, como a violência cotidiana em áreas periféricas e suas implicações na formação educacional de crianças e adolescentes nesses territórios, fazem parte de um leque de problemas ainda não solucionáveis? Fruto da parceria entre Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu, Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE), de Nova Iguaçu e Belford Roxo, Conselho Regional de Psicologia – Subsede Baixada Fluminense, Pastoral da Educação da Diocese de Nova Iguaçu, Fórum Grit...