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FGB salienta dificuldades da sociedade civil em se debater políticas de segurança pública, em mais uma audiência na ALERJ sobre a violência, dessa vez na cidade de Queimados


Fórum Grita Baixada participou ontem (19/10) de audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para se discutir os aumentos dos casos de violência na cidade de Queimados. Realizada pela Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da casa, formada pelos deputados estaduais Zaqueu Teixeira e Marta Rocha, o evento contou com a presença do coordenador do FGB, Adriano de Araújo, convidado pela comissão.

Em sua fala, disse que, mais uma vez, a sociedade civil pouco se fez presente em eventos daquela natureza, apontando a dificuldade de diálogo existente entre autoridades policiais, poder público e a população em geral. “Nós do Fórum Grita Baixada estamos sentindo falta de representações da população de Queimados aqui hoje. Não há ninguém da secretaria de Educação, ninguém da Cultura. Essa é uma reunião em que compareceram apenas policiais, por mais que um policiamento efetivo seja necessário em regiões como Queimados. Mas é preocupante, como sempre observamos, o quanto as questões relacionadas à segurança pública são sempre embasadas na perspectiva de uma fortificação do número de armas e do efetivo de agentes dos batalhões. Nunca se discute as diversas implicações que estão por trás da segurança pública como a social, política, econômica, educacional.”, disse Araujo. Ele também ressaltou que o aumento da violência em Queimados, bem como em toda a região da Baixada Fluminense não é episódica como a mídia transparece.

Respondendo às ponderações feitas por Araujo, o deputado estadual Zaqueu Teixeira afirmou que é alarmante o número de escolas municipais em Queimados e Japeri que estão modificando suas rotinas em relação a esse recente quadro de violência que assola os territórios. “As escolas estão fechando mais cedo, as crianças estão tendo menos aulas e isso precisa ser levado em consideração para se construir uma estratégia de policiamento”, afirmou Teixeira. Em seguida, autoridades policiais de diversas esferas, como o 24º. BPM e da 55ª. Delegacia Legal da cidade forneceram uma série de estatísticas em relação ao que se chamou de “trabalho de policiamento preventivo” nos bairros da cidade de Queimados, através de uma série de indicadores como roubos de carros, letalidade violenta e latrocínio.  

A audiência pública aconteceu quase duas semanas após homens armados com fuzis dispararem contra freqüentadores do Bar Ramon, localizado na Praça dos Eucaliptos, no Centro da cidade de Queimados no início desse mês (o ataque aconteceu domingo, 08/10). Um dos mortos foi Edésio Virgílio da Cruz do Prado, conhecido como Deco, morador da Vila Nascente, que veio a óbito no local. Deco era irmão do ex-Secretário de Saúde Francisco Virgílio, recém-falecido, e tinha perdido um filho no mesmo dia da morte do irmão, há menos de dois meses. Segundo informação confirmada pelo titular da Delegacia de Homicídios da Baixada, Ginilton Lages, também presente na audiência, o ataque teria partido de traficantes que rivalizam com a milícia local.  






20-10-17
https://forumgritabaixada.org.br/violencia-em-queimados

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