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Vozes e lutas contra a invisibilidade



Primeiro Seminário de Comunicação produzido pelo FGB reuniu mais de 20 pensadores que debateram o contexto das mídias populares  


O I BFCOM: Seminário de Comunicação, Cultura e Ativismos da Baixada Fluminense e Outras Periferias tentou cumprir a seguinte missão: em uma tarde, reunir as mais representativas iniciativas em jornalismo, cultura e produção cultural, além de um seleto círculo de ativistas oriundos da academia, das favelas, das ruas. Na última quarta-feira (18/09), numa pequena sala verde do Centro de Formação, em Moquetá, Nova Iguaçu, cerca de 30 pessoas assistiram a 5 mesas temáticas, além de uma mesa de abertura, em que foram debatidas quase todas as ramificações da comunicação e da cultura e suas frentes de atuação, bem como suas incidências políticas. Salienta-se que o “tentar cumprir a seguinte missão” se refere àquelas impossibilidades que, infelizmente, não contemplaram a presença de tantos movimentos, coletivos, jornais, rádios e até TV comunitárias da Baixada Fluminense e as suas adjacências territoriais e afetivas. Algo que, com certeza, será corrigido nas próximas edições.

São minorias sem palco dourado, sem ibope como meta, mas que brilham, pulsam sua repulsa, reivindicam suas identidades, sambam na cara da sociedade abrindo alas para a supremacia da periferia. Pra essas pessoas não bastam as palmas. Elas lacram porque suas palavras são demolidoras, incomodam os privilégios e constrangem os hipócritas. Foi um seminário que juntou religiões, mulheres, cores e as suas formas de se comunicar. Idades, penteados, tons de voz. Uns gritaram, uns bateram na mesa, um outro ficou rouco, uns não entenderam, uns quizombaram. Mas esse é papel da militância. Colocar-se no centro de tudo, organizar o caos e acima de tudo, usar a gentileza como pedagogia ou a pedagogia como gentileza. Foram mesas que complexificaram em poucos minutos, séculos de repressão, silenciamento, preconceitos, perseguições, anulações, racismo, intolerâncias. Sete dos sete mil pecados do capitalismo.  

Mitos como Nelson Mandela foram desconstruídos, comunicadora comunitária foi tratada como jornalista, chamaram a Dilma para o debate, reclamaram que a organização do Seminário era opressora por impor regras totalizantes nos tempos de fala dos debatedores, denúncias de ameaças à vida foram anunciadas e historicamente problematizadas, nos chamaram de “bunker da esquerda odiosa” nas redes sociais. Erramos em algumas estratégias, mas o somatório de satisfações garantidas era evidente nos sorrisos e nos cansaços.  

E do meio de toda essa geléia geral de ideias e ideologias, surge um produto. A possibilidade de se estruturar um coletivo de comunicadores. Com sede física, política editorial, profissionais, conteúdos midiáticos críticos ou reflexivos, CNPJ e até fontes de monetarização. Agora queremos parceiros, investidores, crowdfunding, apoiadores, cursos, outros seminários. Queremos também ser uma força política. E aí? Bora somar com a gente?


20-10-17





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